Aceito tudo como o tempo o quis
"Como no verso antigo, sou feliz por «esta sorte imensa, conhecer-te» e já me tarda a luz onde procuro outro mais puro modo de dizer-te. Aos poucos vou fazendo maus poemas com a rima calada dos sentidos, até me descobrir a toda a gente como um vulgar espelho transparente. Já me esquecia, por uma qualquer dor distraída que no corpo tinha, de desenhar a melodia; mas quando em ti penso sou seguro e claro; gira a terra sem melancolia, aceito tudo como o tempo o quis." António Franco, in Poemas, Assírio & Alvim. Imagem: MB, Rosário , 21.02.2025