O que fazes ao amor que deixou de existir?
O que fazes ao amor que deixou de existir? 1. O meu filho mais velho perguntou-me se ela estava bem e eu respondi-lhe que não sabia. Não a vejo há muitos anos. Trocamos mensagens monocórdicas pelo Natal ou pelo aniversário. Almoçámos um par de vezes nestes últimos vinte anos. Pedi-lhe desculpa por uma relação que não correu bem por minha exclusiva culpa. 2. Não entro em detalhes, é de arqueologia de que te falo, de uma cidade perdida, como se existisse uma Constantinopla soterrada dentro do meu corpo. Quero falar de ti, não de mim. Desta coisa de sermos confrontados por alguma coisa que julgávamos já não existir… … como um filho dizer-nos… … lembro-me dela, pai. 3. Somos tantos e tantas vidas. Vamos semeando fins e novos princípios. E a cidade vai-se tornando um pequeno cemitério de memórias – aquele restaurante, aquela esquina, aquela loja de discos, aquele bocadinho de rio. As pessoas vão-nos morrendo...