"Há dias em que eu estou com um bocadinho mais de saudade do que em outros. Tem vez que a ausência é uma presença que dói." Ana Jácomo Imagem: MB, Lisboa 28.05.2026
Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi. De que serviu tecer flores pelas areias do chão se havia gente dormindo sobre o próprio coração? E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz. E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz. Perdoa-me, folha seca! Meus olhos sem força estão velando e rogando aqueles que não se levantarão... Tu és folha de outono voante pelo jardim. Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim. E vou por este caminho, certa de que tudo é vão. Que tudo é menos que o vento, menos que as folhas do chão... Cecília Meireles Imagem: MB, Lisboa, 26.05.2026
"O amor de um solitário é o mais autêntico que pode existir. Ele te ama por escolha, não por companhia." Charles Bukowski Imagem: MB, Moita, 21.05.2026
"Onde nasci, morri. Onde morri, existo. E das peles que visto muitas há que não vi. Sem mim como sem ti posso durar. Desisto de tudo quanto é misto e que odiei ou senti. Nem Fausto nem Mefisto, à deusa que se ri deste nosso oaristo, eis-me a dizer: assisto além, nenhum, aqui, mas não sou eu, nem isto." Carlos Drummond de Andrade , Sonetilho do falso Fernando Pessoa, in Claro Enigma, Companhia das Letras Imagem: MB, Lisboa, 25.05.2026
"Que saudades eu sinto desta flor, Que vai murchar! E desta gota de água e de esplendor, Um pequenino mundo que é só mar. E desta imagem que por mim passou Misteriosamente. E desta folha pálida e tremente Que tombou... Da voz do vento que me deixa mudo, E deste meu espanto de criança Que saudades de tudo eu sinto, porque tudo É feito de lembrança..." Teixeira de Pascoae s, in Versos Pobres Imagem: MB, Moita, 21.02.2026
"Contar-te longamente as perigosas coisas do mar. Contar-te o amor ardente e as ilhas que só há no verbo amar. Contar-te longamente longamente. Amor ardente. Amor ardente. E mar. Contar-te longamente as misteriosas maravilhas do verbo navegar. E mar. Amar: as coisas perigosas. Contar-te longamente que já foi num tempo doce coisa amar. E mar. Contar-te longamente como dói desembarcar nas ilhas misteriosas. Contar-te o mar ardente e o verbo amar. E longamente as coisas perigosas." Manuel Alegre Imagem: MB, República Dominicana, 27.11.2025