Livra-te das tralhas

 

"Livra-te das tralhas. 

Do que não te traz nada. Do que só serve para te encher sem te preencher, do que te traz más memórias, más sensações, más energias. Do que ocupa espaço sem ocupar vazios. Do que ainda te esvazia mais, do que só te faz desistir mais, baixar os braços mais, perder tempo, alma, sonho.

Livra-te das tralhas.

Das pessoas que usam os teus ombros para serem carregadas por ti, mas que nunca estão disponíveis para te carregar. Das que só querem o que tens para dar, dos que só precisam de ti para livrar das próprias dores, das que só te procuram quando procuram algo, das que nunca te perguntam como estás, de que precisas, das que não querem saber de ti quando estão felizes.

Livra-te das tralhas.

Do peso do passado, das vinganças, dos ressentimentos, das dores que nada trazem, de projectos sem sentido, daquilo com que não te identificas, de companhias que não te acompanham, que não te preenchem. Do que não te deixa voar.

Livra-te das tralhas.

Do que não te dá prazer, do que não te faz sentir nada, querer nada, amar nada. Do que só atafulha, do que só traz ruído, dúvida, confusão, guerra, conflito. Do que não te faz dançar, ou saltar, ou querer mais, ou precisar de mais, ou tremer, ou sonhar.

Livra-te das tralhas.

Se não te apaixona, não te faz falta. Livra-te de não livrares disso tudo."

Pedro Chagas Freitas, in O Hospital das Alfaces

Imagem: MB, Moita, 13.12.2025 



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