Novos começos
Há dias em que a luz chega antes de nós.
Entra pela janela, toca o chão e diz, sem palavras:
“Hoje podes começar outra vez.”
Os novos começos não pertencem ao calendário — pertencem ao momento em que percebemos que podemos escolher a luz.
A oportunidade é um gesto.
Um clarão suave que se acende por dentro, mesmo quando o mundo lá fora ainda parece cinzento.
Começar é arriscar.
É ouvir o arrepio que diz “vai”, mesmo sem garantias.
É avançar sem esperar pela certeza — porque a certeza conforta, mas não transforma.
Há instantes em que uma ligação inesperada ilumina mais do que qualquer plano perfeito.
A conexão torna-se bússola.
Mostra-nos que não caminhamos sozinhos, que há presença, gesto, silêncio e mão estendida quando menos esperamos.
Sentir é deixar a vida tocar-nos.
É permitir que a beleza entre:
uma música que nos encontra,
uma palavra que abre espaço,
uma luz que nos devolve a nós mesmos.
E não há novo começo sem coragem.
Coragem de dizer “sim” ao que nos acende.
Coragem de caminhar sem mapa.
Coragem de nos abrirmos outra vez, mesmo depois de tudo.
A verdade é simples:
a vida renova-se sempre que deixamos.
Há sempre uma porta entreaberta, uma manhã insistente, uma luz que não desiste de nós.
Os novos começos não são lugares — são um movimento interior.
Uma forma nova de sentir o mundo.
Uma casa que se acende por dentro...
Pedro Rocha

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