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A mostrar mensagens de 2025

Deixar a bagagem

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  "Fechei os olhos e pedi um favor ao vento... leve tudo que for desnecessário. Ando cansada de bagagens pesadas. Daqui pra frente, levo apenas o que couber no bolso e no coração..." Cora Coralina Imagem: MB, Sanoa, República Dominicana, 27.11.2025

Que ninguém me peça nada

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  "(...) Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo norte. Que ninguém me peça nada. Nada. Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia, com a minha noite que nem sempre é noite como a alma quer. Não sei caminhos de cor. " Fernando Namora , in Mar de Sargaços Imagem: MB, República Dominicana, 30.11.2025

A sabedoria dos dias

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  "as manhãs as árvores eu sou pássaro o mundo é belo era uma vez uma história a sabedoria dos dias" João Fernandes Imagem: MB, Moita, 25.11.2025

Encantamento

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  "O encantamento é uma casa que tem o silêncio por tecto.” Mia Couto Imagem: MB, República Dominicana, 27.11.2025

Tranquilidade

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  "Quando compreendemos a primeira e a mais importante das regras, que tudo que existe é bom pelo fato de existir, então um sentimento de paz e de tranquilidade, gradativamente mais profundo, apossar-se-á de nós. Somente nessa tranquilidade aprenderemos a contemplar as coisas e elas nos revelarão o seu significado.  Pouco a pouco nos libertaremos da obsessão de lutar a favor ou contra alguma coisa sem, no entanto, deixarmos de agir.  A verdadeira atividade nasce da tranquilidade. Quando o homem puder deixar algo acontecer, sem querer logo interferir, esse será um sinal de maturidade." Thorwald Dethlefsen , O Desafio do Destino Imagem: MB, Republica Dominicana, 30.11.2025

Ladaínha dos póstumos Natais

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  Há-de vir um Natal e será o primeiro em que se veja à mesa o meu lugar vazio Há-de vir um Natal e será o primeiro em que hão-de me lembrar de modo menos nítido Há-de vir um Natal e será o primeiro em que só uma voz me evoque a sós consigo Há-de vir um Natal e será o primeiro em que não viva já ninguém meu conhecido Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem vivo esteja um verso deste livro Há-de vir um Natal e será o primeiro em que terei de novo o Nada a sós comigo Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem o Natal terá qualquer sentido Há-de vir um Natal e será o primeiro em que o Nada retome a cor do Infinito David Mourão-Ferreira , in Cancioneiro de Natal Imagem: MB, Moita, 23.12.2025

Natal de verdade

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  Não quero roupa, quero agasalho. Não quero relógios, quero tempo. Não quero telemóveis, quero ligações. Não quero chocolates, quero doçura. Nas palavras e nos gestos. Não quero lâmpadas, quero luz. Brilho no olhar. Não quero desembrulhar prendas, quero desapertar o coração. Quero risos. Não quero pressa, o amor leva tempo. Não quero cadeiras, quero lugares. Há sempre lugar para quem nos quer bem. Não quero conversa, quero diálogo. Não quero embrulhos, quero abraços. Não quero encomendas, quero entrega. Não quero lembranças, quero memórias. Não quero que seja uma noite, quero que seja uma vida. Natal de verdade. Elisabete Bárbara , in lado.a.lado Imagem: MB, Moita, 14.11.2024

Natal todo o ano

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  "Eu honrarei o Natal em meu coração, e tentarei manter o ano todo." Charles Dickens Imagem: MB, Moita, dezembro 2025

Falha?

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  "- Falhámos a vida, menino!  - ‎Creio que sim ... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. (...) E nunca se é assim (...). Às vezes melhor, mas sempre diferente." Eça de Queiroz , in Os Maias Imagem: MB, Moita, 23.11.2025

Poema de 2ª feira

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  "Há certas cores, perfumes, vestígios que ficam para sempre ligados uns aos outros em nossa mente - associados como uma eterna e involuntária projeção. Assim, amarelo será para sempre Van Gogh Cerejeiras serão Japão segunda feira - dia de amassar o pão. O pão que os diabos e os demônios amassam. Aquele que descansou no domingo retorna ao ponto do ônibus à  mesa do escritório a vitrine do florista lhe passa desapercebida. Notícias enchem os ouvidos mas não capturam os sentidos tão absorvidos estamos ao entrar na segunda feira e no seu zumbido. Segunda feira esconde a primeira feira vem antes da terça  - terceira e quarta parece tão distante. É sempre um dia depois ou um dia antes. Dia em que arrastamos nossos corpos em direção contrária   em que exercitamos a disciplina anti poética. O dia mais banal de todos os dias." Anisia Cotta , 2001 Imagem: MB, Lisboa, 24.11.2025 (2ª feira)

Portas fechadas

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  "Eu tive muitas portas fechadas em minha vida, mas o tempo me mostrou que elas só estavam me protegendo dos lugares em que eu nunca deveria entrar.” Chico Xavier Imagem: MB. Barreiro, 31.10.2025

Folhas

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  "Não há, não, duas folhas iguais em toda a criação. Ou nervura a menos, ou célula a mais, não há, de certeza, duas folhas iguais. Limbo todas têm, que é próprio das folhas; pecíolo algumas; baínha nem todas. Umas são fendidas, crenadas, lobadas, inteiras, partidas, singelas, dobradas. Outras acerosas, redondas, agudas, macias, viscosas, fibrosas, carnudas. Nas formas presentes, nos actos distantes, mesmo semelhantes são sempre diferentes. Umas vão e caem no charco cinzento, e lançam apelos nas ondas que fazem; outras vão e jazem sem mais movimento. Mas outras não jazem, nem caem, nem gritam, apenas volitam nas dobras do vento. É dessas que eu sou." António Gedeão Imagem: MB, Moita, 09.11.2025

Mudar

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  "Era tempo de deixar o passado, Entregue à sua inquieta paz... Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira..." José Saramago Imagem: MB, Bayahibe, RD, 28.11.2025 Exit North - Bested Bones https://www.youtube.com/watch?v=s3bSgz8EXaI&list=RDs3bSgz8EXaI&start_radio=1

Erro

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  "Tudo o que fazemos é marcado pela fragilidade da nossa condição. Somos esta coisa humana, provisória, incerta, inacabada, imperfeita. Mas somos também poeira enamorada. Há em nós alguma coisa de maior. Mesmo no erro. No erro podemos encontrar um caminho." José Tolentino de Mendonça Imagem: MB, Gaio, 02.11.2025

O mundo está cheio de pessoas

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  "O mundo está cheio de pessoas. Como o universo está cheio de estrelas. As possibilidades de encontros são inúmeras. (e as de desencontros ainda maiores). Para conhecermos o mundo existem mapas e GPS (que são mapas que falam connosco) para nos orientarmos. Para conhecer o universo há telescópios e sondas. Mas não  há mapa para conhecer as pessoas. Nem sondas. Há muitos sítios onde podemos  observar e conhecer pessoas: nas escolas, nos locais de trabalho, em ruas e praças, becos e esquinas, em parques e jardins, nos transportes públicos, nas festas ou mesmo em sítios na internet - chats e redes (mas isto não é bem conhecer é só contatar; conhecer tem de ser mesmo ao pé uns dos outros)." Nuno Artur Silva,   In "Como é que os nossos Amigos ficam nossos Amigos?", In Teoria Universal da Amizade. Imagem: MB, Lisboa, 06.11.2025

Eternidade

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  "To see a world in  a grain of sand And heaven in a  wild flower, Hold infinity in  the palm of your  hand And eternity in an  hour." William Blake Imagem: MB, Moita, 09.11.2025 https://www.youtube.com/watch?v=fXj6TyPfVKU&list=RDfXj6TyPfVKU&start_radio=1

Nada no mundo se repete

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  "Nada no mundo se repete. Nenhuma hora é igual à que passou. Cada fruto que vem cria e promete Uma doçura que ninguém provou. Mas a vida deseja Em cada recomeço o mesmo fim. E a borboleta, mal desperta, adeja Pelas ruas floridas do jardim. Homem novo que vens, olha a beleza! Olha a graça que o teu instinto pede. Tira da natureza O luxo eterno que ela te concede." Miguel Torga Imagem: MB, Moita, 18.10.2025

Cinco por cento

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  A vida, que parece uma linha recta, não o é. Construímos a nossa vida só nuns cinco por cento, o resto é feito pelos outros, porque vivemos com os outros e às vezes contra os outros. Mas essa pequena percentagem, esses cinco por cento, é o resultado da sinceridade consigo mesmo. José Saramago Imagem: MB, Lisboa. 06.10.2025

Corpo

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  corpo que te seja leve o peso das estrelas e de tua boca irrompa a inocência nua dum lírio cujo caule se estende e ramifica para lá dos alicerces da casa abre a janela debruça-te deixa que o mar inunde os órgãos do corpo espalha lume na ponta dos dedos e toca ao de leve aquilo que deve ser preservado mas olho para as mãos e leio o que o vento norte escreveu sobre as dunas levanto-me do fundo de ti humilde lama e num soluço da respiração sei que estou vivo sou o centro sísmico do mundo  AL BERTO Imagem: MB, Moita 09.11.2025

Closer than we think

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  "Our departed loved ones are closer than we think. Not gone, but transformed, woven into the quiet moments of our lives. Love, once given, does not disappear. It changes form, softens, and lives within the spaces between us. If we grow quiet enough, if we let the world rest for a moment, we can feel it, not as memory, but as presence. They are here, just beyond the veil of sight, breathing through the spaces love once opened, reminding us, with every stillness, that nothing truly loved is ever lost." Mary Anne Byrne Imagem: MB; Moita, 21.09.2025 https://www.youtube.com/playlist?list=PLRW80bBvVD3U1WNl0z2wnuiFCjAEEZ_1X   Stay Right Where You Are

Só é tua a loucura

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  "Recomeça....  Se puderes  Sem angústia  E sem pressa.  E os passos que deres,  Nesse caminho duro  Do futuro  Dá-os em liberdade.  Enquanto não alcances  Não descanses.  De nenhum fruto queiras só metade.  E, nunca saciado,  Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.  Sempre a sonhar e vendo  O logro da aventura.  És homem, não te esqueças!  Só é tua a loucura  Onde, com lucidez, te reconheças..." Miguel Torga Imagem: MB, Gaio, 09.11.2025

Chuva grossa e inesperada

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  "Chove uma grossa chuva inesperada, Que a tarde não pediu mas agradece. Chove na rua, já de si molhada Duma vida que é chuva e não parece. Chove, grossa e constante, Uma paz que há de ser Uma gota invisível e distante Na janela, a escorrer..." Miguel Torga Imagem: MB, Moita, 09.12.2025

Pedras

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  "O que faremos nós das pequenas pedras que a vida por achá-las inúteis devolve insolúveis ao coração." António Amaral Tavares , in As casas devoradas pela noite (antologia), edição Sexto Sentido. Imagem: MB, Gaio, 09.11.2025

Escolher

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  "Hoje é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de «abrir mão», a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial." Rubem Alves Imagem: MB, Moita, 08.11.2025

Palavras de luar

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  "Para ti meu amor palavras de luar e a parte do mar que afinal cada um tem em si" Artur do Cruzeiro Seixas , Obra Poética II, Porto Editora Imagem: MB, Moita, 26.10.2025

Tudo é para mim

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  "Tudo quanto existe existe só para mim. Esta folha que cai este jornal que sobe levado pelo vento todo o dia de hoje um século o mundo inteiro e este pôr-do-sol riscado na água a fogo sempre apontando na minha direcção para onde quer que me desloque nesta orla marítima tão móvel sobrevoado por estas aves pesadíssimas na  translucidez do fim tudo tudo é para mim tudo é da minha inteira responsabilidade." Artur do Cruzeiro Seixas , Obra Poética II, Porto Editora Imagem: MB, Moita, 08.11.2025

Livre

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  "A felicidade nada tem a ver com tempo livre, mas com a Alma livre." Fabrício Carpinejar Imagem: MB, Moita, 24.10.2025

Relva tenra

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  "Às vezes chamamos-lhe amor - ‎a isto que nos deita ao chão ou nos pisa devagar, como relva tenra e fatigada." Manuel de Freitas, Sunny Bar  (excerto), edição Alambique Imagem: MB, Moita, 20.06.2025

Jogando

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  "Começamos a perder ao berlinde e acabamos a perder pessoas, e tudo acontece tão depressa como  intervalo para o recreio na escola, quase não deu para jogar à bola." Raquel Serejo Martins , Os invencíveis Imagem: MB, Moita, 26.10.2025

Não penses

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  "Não penses!.. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar. Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de Sol. Talvez que de noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora. Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe» com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de Sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não penses, que é sacrilégio." Vergílio Ferreira Imagem: MB, Moita, 02.11.2025

Entre o agora e o amanhã

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Entre o agora e o amanhã existe um espaço invisível — um sopro breve, um silêncio cheio de possibilidades. É ali que o tempo se curva, que os sonhos respiram, que as escolhas ainda não feitas esperam por coragem. O agora é o chão firme, o instante que pulsa nas mãos. É o que temos, o que somos, o que podemos tocar. Mas o amanhã — ah, o amanhã — é o horizonte que nos chama, feito de promessas e incertezas, de medos e esperanças. Entre um e outro, vive o que realmente importa: a ponte que construímos com gestos, palavras e intenções. Porque o futuro não nasce do nada — ele floresce das sementes que plantamos no presente. Viver, então, é aprender a equilibrar-se nesse intervalo: sem se perder nas lembranças do ontem, sem se afogar na ansiedade do que virá. É dançar no fio do tempo, com os olhos abertos para o instante, e o coração voltado para o que ainda pode ser. Helena Sacadura Cabral Imagem: MB, Gaio, 02.11.2025  

O ausente

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  Eis-me Tendo-me despido de todos os meus mantos  Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses  Para ficar sozinha ante o silêncio  Ante o silêncio e o esplendor da tua face  Mas tu és de todos os ausentes o ausente  Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão  me toca  O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras E o teu encontro  São planícies e planícies de silêncio  Escura é a noite  Escura e transparente  Mas o teu rosto está para além do tempo opaco  E eu não habito os jardins do teu silêncio  Porque tu és de todos os ausentes o ausente  Sophia de Mello Breyner Andresen , Eis-me, in  Livro Sexto Imagem: MB, Gaio, 02.11.2025