Não sou eu, nem isto

 

"Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.

Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.

Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,

eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto."

Carlos Drummond de Andrade, Sonetilho do falso Fernando Pessoa, in Claro Enigma, Companhia das Letras 

Imagem: MB, Lisboa, 25.05.2026



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Faz com que conte

Deixar a bagagem